Mostra Casa Saúde – ocupação equivocada da praça

Foto do Acesso a Edificação

Foto do Acesso a Edificação

A partir do dia 22 de outubro, até o dia 3 de novembro, a cidade de Santa Maria, em uma parceria do sistema SESC/Fecomércio com a Prefeitura Municipal de Santa Maria, recebe a mostra Casa Saúde. A mostra é composta por um pavilhão de 300 m² com uma estrutura de pilares metálicos e lonas, possuindo também uma estrutura de madeira que simula uma residência. A programação que envolve a edificação é excelente, possui espaço e atendentes para tirar dúvidas, possibilidade de fazer exames, medir pressão, um local para palestras (com agenda quase todos os dias) e espaço para gestante.

Entre outros espaços e atividades, o grande diferencial é o espaço que simula uma residência,  no qual são passadas orientações de saúde e higiene em ambientes montados como quarto, sala, cozinha e outros. É uma ação direta, que passa instruções que são fundamentais e podem ser decisivas na hora de antecipar uma doença ou um problema, isso é rica fonte de instrução e informação. Mas o problema reside na implantação da edificação.

A edificação temporária está localizada no centro da mais importante praça da cidade, a Saldanha Marinho.  Entre todas as funções que uma praça exerce, a Saldanha Marinho é um grande ponto de passagem de pessoas, ligações entre um lado do centro e o outro, como o acesso ao calçadão para quem acessa o mesmo pelo leste. Isso sem contar que na praça reside o teatro municipal, a administração municipal, o banco e outros atrativos que possuem um fluxo de acesso considerável. Em suma, a praça dá acesso e circulação a edificações de grande importância, dando ainda uma continuidade do calçadão ou para ele, uma espécie de largo depois do afunilado calçadão.

Localização da praça com relação ao entorno

Localização da praça com relação ao entorno

A conformação da praça, com canteiros médios que criam espaços de circulação e de descanso, permitem quase que uma brincadeira, na qual o transeunte tem mais de uma possibilidade de fluxo. O ponto central da praça é o coreto, tendo também como atrativo o chafariz e uma espécie de palco para apresentações. Quem caminha por ela sabe os fluxos que ali ocorrem, e sabe que são praticamente por toda ela. Levando em conta os pontos de travessia das ruas, as faixas e pedestres, temos um esquema de fluxo parecido com isso:

Principais rotas de de pedestres que usam a praça como travessia

Principais rotas de de pedestres que usam a praça como travessia

A praça,  pela sua localização central, tem um histórico de ocupações por instalações itinerantes,  ali acontecem anualmente a Feira do Livro, algumas edições do Macondo Circus e outros. Porém esses eventos acabam preservando as circulações, com dificuldade, mas mantendo o fluxo da praça e dando possibilidade de quem circula interagir com o evento. No entanto, o evento citado no começo deste texto, a Mostra Casa Saúde, é apenas uma edificação retangular no meio da praça,  com uma abertura em direção a  Rua Venâncio Aires.

Comparativo aproximado entre eventos na Praça Saldanha Marino

Comparativo aproximado entre eventos na Praça Saldanha Marino

A edificação é um trambolho, atrapalha e estrangula fluxos, tem seu acesso apenas pela lateral voltada à Rua Venâncio Aires, além de não interagir com os elementos que fazem parte da história da praça. Ela se amontoa no coreto, como se estivesse escorado nele, negando o mesmo, o restante da praça e as edificações do entorno, que dão frente para a praça, cria cantos sem saída, além da anular a possibilidade de utilização de alguns bancos.

Foto da edificação na praça

Foto da edificação na praça

Foto da edificação na praça

Foto da edificação na praça

Foto da edificação na praça

Foto da edificação na praça

20131024_135512

Foto da edificação na praça

Foto da edificação na praça

Foto da edificação na praça

Foto da edificação na praça

Foto da edificação na praça

Foto da edificação na praça

Fotos da edificação na praça

Fotos da edificação na praça

Um dos principais pontos afetados é o fluxo entre o calçadão e a Venâncio Aires,  onde o único percurso possível, a partir da inserção deste equipamento, acaba sendo pelo desnível que leva ao palco da praça. O pedestre, quando ingressa na praça, acredita que tem passagem e segue o seu fluxo normal, porém aos poucos a edificação vai empurrando e encaminhando ele até o ponto de passagem naquele trecho, as escadas, que naquela hora é a única opção, pois fazer toda volta não faz sentido. O problema é que isso acontece com todos, crianças, idosos, pessoas que tem dificuldade de locomoção,  isso tudo em uma escada que não está ali para essa atividade, nem corrimão naquele trecho ela tem.

Foto da passagem

Foto da passagem

Foto da passagem

Foto da passagem

Foto da passagem

Foto da passagem

Foto da passagem

Foto da passagem

Quero deixar claro que apoio e acho importante programas assim,  porém não é por isso que devemos fechar os olhos para equívocos em espaços públicos. A edificação poderia ser dividia em duas, uma com cada etapa e quem sabe ocupar pontos diferentes da praça,  abrindo para dois lado e permitindo fluxos variados. Acredito que um profissional com uma planta da praça e do equipamento proposto, jamais o colocaria daquele jeito. Ou ia sugerir outro local, como o largo da gare, ou, como já foi  mencionado, ia optar por fragmentar a edificação.

Chego a várias conclusões, mas duas mais importantes. A primeira é que  intervenções precisam ser estudadas e ter projetos aprovados, com arquitetos de ambos os lados, aprovando o projeto pela prefeitura e fazendo o projeto pelo SESC, no caso. E a segunda é que as pessoas que produziram, autorizaram e foram na inauguração,  tanto da entidade promotora do evento, como da prefeitura, não utilizam e nem circulam pela praça. Três minutos dando uma volta na praça são suficientes para perceber como a implantação da Casa da Saúde ficou mal resolvida. É uma simples falta de percepção e fiscalização.

Para maiores informações sobre a mostra, acesse o link: http://www.santamaria.rs.gov.br/gabinete/noticias/7402-mostra-casa-da-saude-sesc-abre-as-portas-a-comunidade-santamariense-prevencao-servicos-e-qualidade-de-vida-ate-3-de-novembro

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Cidade, Opinião | Deixe um comentário

O que tem(tinha) a PEC 37

Não tenho estudos profundos nem bacharel em direito, mas fiquei curioso e pesquisei um pouco, o que acho é que as coisas deveriam ser mais simples.

A PEC 37 foi rejeitada pela câmara de deputados, o que vem sendo noticiado como uma ampla vitória das ultima manifestações no País, mas duas coisas tem me incomodado,  a primeira é quem iria propor algo tão demoníaco,pois mesmo que tivesse objetivo de beneficio próprio conseguiu inumeras assinaturas para chegar a votação, a segunda é o Arnaldo Jabor.

Na verdade o que me incomoda é a gana que o principal conglomerado de mídia do país tem lutado contra a PEC 37, e percebi isso nos videos do Arnaldo Jabor. O primeiro vídeo que ele fez sobre as manifestações, em que ele se viu numa situação patética horas depois, ele critica e ofende aqueles que estão protestando, julgando-se o senhor da razão presume entender e ainda dar uma lição de moral nos manifestantes, na visão dele manifestando sob a causa da falta de causas. Indaga por que não lutar pela Proposta de Emenda Consitucional 37.

http://www.youtube.com/watch?v=luLzhtSYWC4

Pois então, dias depois ele já nota o equivoco e volta atrás, busca uma humildade que não costuma frequentar aquele quadro, exalta a força da juventude, que os jovens acordaram e perceberam a democracia, fala pontos que enaltecem os manifestantes,para então finalizar. – “…é preciso uma politica nova e se reinventando, mas com objetivos concretos, como por exemplo a luta contra o projeto de emenda constitucional 37, que vai limitar o Ministério Público que defende a sociedade…”

http://www.youtube.com/watch?v=o-Xv9QYG_YU

O que me intriga é que se vincularmos outros canais do conglomerado veremos outros colunistas atacando e mostrando cartazes contra a PEC 37, a causa mais justa que saúde, educação e passagem, segundo esses noticiários. O conglomerado já apoio ditadura, já manipulou debate, já colocou e derrubou um presidente, sempre manobrando o que pode com sua concessão. Afinal seria essa a hora em que encontraram redenção e estão defendendo a causa justa? Duvido, então vamos a pesquisa.

Vamos a PEC na integra

https://www2.mp.pa.gov.br/sistemas/gcsubsites/upload/76/PEC%2037%20GERAL.pdf

A PEC 37 é uma proposta de emenda constitucional, ou seja será colocado um paragrafo ou texto ajustando artigos ou paragrafos da constituição. Nesse caso será inserido o paragrafo 10 no artigo 144, que segue na integra abaixo:

Título V    

Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas

Capítulo III    

Da Segurança Pública

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:

     I –  polícia federal;

     II –  polícia rodoviária federal;

     III –  polícia ferroviária federal;

     IV –  polícias civis;

     V –  polícias militares e corpos de bombeiros militares.

 § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a:

     I –  apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;

     II –  prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;

     III –  exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;

     IV –  exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.

 § 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.

 § 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.

 § 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.

 § 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil.

 § 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.

 § 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades.

 § 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.

 § 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma do § 4º do art. 39.

http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/CON1988_04.02.2010/art_144_.shtm

Aqui entratria a PEC 37(a da Impunidade):

  § 10º A apuração das infrações penais de que tratam os §§ 1º e 4º deste artigo, incumbem privativamente às polícias federal e civis dos Estados e do Distrito Federal, respectivamente.

Fiquei confuso, no fim não comenta nada sobre o Ministério Público, nem antes e nem depois da PEC 37, fala sim sobre a exclusividade de investigação, o que da a entender excluir o Ministério Público. Vamos então as atribuições do MP.

Título IV    

Da Organização dos Poderes

Capítulo IV    

Das Funções Essenciais à Justiça

Seção I    

Do Ministério Público

 

 Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:

     I –  promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;

     II –  zelar pelo efetivo respeito dos poderes públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;

     III –  promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;

     IV –  promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição;

     V –  defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;

     VI –  expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;

     VII –  exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior;

     VIII –  requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;

     IX –  exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.

 § 1º A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na lei.

 § 2º As funções do Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira, que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do chefe da instituição.

 § 3º O ingresso na carreira do Ministério Público far-se-á mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua realização, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação.

 § 4º  Aplica-se ao Ministério Público, no que couber, o disposto no art. 93.

 §  5º A distribuição de processos no Ministério Público será imediata.

 http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/CON1988_04.02.2010/art_144_.shtm

Bom nem no mesmo título e capitulo estão. Não sou bacharel em direito e muito menos especialista em constituição, mas superficialmente podemos afirmar que a ação do ministério é requisitar diligencias e investigações, e não faze-las.

E esse é o maior argumento de quem defende a PEC 37, segundo seus defensores, ela apenas define, em obediência ao que dispõe a Constituição Federal, a atuação do Ministério público e a da Polícia (federal e estadual).

O texto da PEC 37 ainda conta com uma justificativa, escrita por um desembargador aposentado:

‟Ao Ministério Público nacional são confiadas atribuições multifárias de destacado relevo, ressaindo, entre tanta, a de fiscal da lei. A investigação de crimes, entretanto, não está incluída no círculo de suas competências legais. Apenas um segmento dessa honrada instituição entende em sentido contrário, sem razão.

Não engrandece nem fortalece o Ministério Público o exercício da atividade investigatória de crimes, sem respaldo legal, revelador de perigoso arbítrio, a propiciar o sepultamento de direito e garantias inalienáveis dos cidadãos.Coordenação de Comissões Permanentes.

O êxito das investigações depende de um cabedal de conhecimentos técnico-científicos de que não dispõe os integrantes do Ministério Público e seu corpo funcional. As instituições policiais são as únicas que contam com pessoal capacitado para investigar crimes e, dessarte cumprir com a missão que lhe outorga o art. 144 da Constituição Federal.

A todos os cidadãos importa que o Ministério Público, dentro dos ditames da lei, não transija com o crime e quaisquer tipos de ilicitudes.

O destino do ministério Público brasileiro, no decurso de sua existência, recebeu a luz de incensuráveis padrões éticos na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

Às Polícias sempre coube a árdua missão de travar contato direito com os transgressores da lei penal, numa luta heróica, sem quartel, no decurso da qual, no cumprimento de sagrado juramento profissional, muito se sacrificam a própria vida na defesa da ordem pública e dos cidadãos.

A atuação integrada e independente do Ministério Público e das Polícias garantirá o sucesso da persecução penal, com vistas à realização da justiça e a salvaguarda do bem comum. ‟

Então pesquisando mais um pouco descubro que quem apoiava a PEC 37 a chamava de PEC da Legalidade. Colocaria o minstério público fora de investigações criminais, com o papel de pedir esclarecimentos e policia e ficaslizar administrativamente. No fim busca limitar o poder do MP que, segundo os pró PEC 37, não tem fiscalização externa e pode querer investigar politicamente por mando de um coordenador, no caso um procurador.

O MP começou a investigar crimes devido a um decreto de regulamentação interna – http://2ccr.pgr.mpf.mp.br/legislacao/recomendacoes/docs-resolucoes/resolucao_13_instauracao_e_tramitacao_do_procedimento_investigatorio_criminal.pdf – o que acaba sendo um pouco estranho.

Existe pontos e contrapontos, é possivel que se a PEC 37 passasse outros orgãos como o TCU e MP perdessem poder e a policia não estivesse estruturada para toda responsabilidade. Porém há de salientar a preocupação com quem investiga o próprio ministério público, há vários  casos de denuncias que parece que ninguém consegue cobrar deles. Um absurdo que notei, ao que parece, sob ordem do Procurador Geral Roberto Gurgel fazer uma propaganda na Revista Veja incitando a ir contra a PEC 37, parecendo um desespero de quem vai perder poder e autonomia. Fora o site criado para isso – http://brasilcontraaimpunidade.com.br/

Fica difícil decidir se deveria ou não passar a PEC 37, mas o mais importante era debater, talvez por isso estava na câmara, a minha crítica fica para a simplicidade que a midia atribuia a PEC 37, prejudicar o MP, e isso o conclomerado colocou guela abaixo. Ao que tudo indica é uma briga por poder e autonomia, cada qual defendendo o seu. No fundo uma pessoal mal intencionada ou não tão bem instruida com a PEC 37 ou sem a PEC 37 tanto no Ministério Público como na polícia pode causar um dano grande, no fim o problema é nas pessoas. Com relação ao interesse do conglomerado, existem teorias que não fui muito a fundo, mas ainda fiquei com aquela sensação  de que eles engambelaram essa mais uma vez.

Aqui segue uns links para se divertir.

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2013/06/25/interna_politica,446991/entenda-a-pec-37-que-sera-votada-em-instantes.shtml

http://www.conteudojuridico.com.br/livro-digital,os-riscos-da-investigacao-pelo-ministerio-publico-alberto-jose-tavares-vieira-da-silva-desembargador-aposenta,41346.html

http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11011

http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2013/06/youtrouxa-0030-rejeitar-pec-37-e.html

http://asintoniafina.blogspot.com.br/2013/06/antes-de-acreditar-na-globo-entenda-pec.html

Publicado em Opinião | Marcado com , , | Deixe um comentário

A culpa também é nossa

As pessoas não deviam perder entes queridos assim, é muito triste perder irmão, filhos, amigos, futuros pais, não deveria ser assim, é simplesmente muito triste, muita gente louca para viver, não dá para mensurar a dor que as pessoas estão sentindo. Não conseguimos achar razão para esse tipo de coisa acontecer e logo queremos saber como aconteceu e de quem é a culpa. Assim saímos exigindo que os culpados paguem, ainda mais em uma situação que tudo indica que poderia ter sido evitada. Ao que tudo indica a negligência e o despreparo foi um fator determinante nessa tragédia. Mas a negligência é de quem?

Uma série fatores juntos levaram a um péssimo resultado, parece que conjecturaram, parece que se fosse outra banda, outra boate, outro extintor, outra porta, outra fiscalização – tudo seria diferente – menos trágico ou não aconteceria, mas não foi assim. Sempre teremos legalmente a quem responsabilizar, assim com uma investigação chegaremos a quem irá personificar a negligência. Mas de verdade o que isso significa, como a negligência ou o despreparo chegou ali. O real problema é que todos somos negligentes, é como se a negligência estivesse dentro da gente como que fôssemos dentro da lei e da norma até ela nos incomodar, até ela atrapalhar. Somo corretos com tudo, mas às vezes negligentes ao dirigir acima do limite de velocidade, afinal esse limite é baixo, negligentes ao não usar a cadeirinha para crianças no carro, afinal a criança cansa de ficar ali, negligentes ao não usar capacete em obra, afinal é chato e quente, negligentes em usar um sinalizador em local fechado, mas também todo mundo usa e nunca deu problema, negligentes em mudar o projeto do espaço sem consultar as normas, afinal são uma chatice, negligente em não usar um material mais adequado para o isolamento do forro, afinal nem sabia que tinha, despreparado em não ter um equipamento de combate ao incêndio adequado ou um ponto eletrônico entre seguranças, afinal como vai pegar fogo aqui e para o quê comunicação, negligentes em deixar funcionar um estabelecimento mesmo sem o alvará, afinal parece estar tudo em dia, negligentes em nem aprovar um projeto antes de executar a obra, negligente em ter um sistema público que demora a dar retorno para aprovar um projeto, negligente em mesmo fora de hora de serviço ser fiscal e não cobrar ao ver que uma obra está acontecendo. Mas no começo do dia 27 de Janeiro na Rua Andradas em Santa Mariam (RS), ao que tudo indica, uma série de negligências e despreparos foram fundamentais para acabar com uma cidade.

Quando se passa em frente a boate e sente o cheiro que parece de plástico queimado a vontade é de jogar lá dentro quem possa ser responsável, mas para mim hoje, existe uma grande confusão entre justiça e vingança, não consigo imaginar má intenção ou dor menor pelos “responsáveis”. Não podemos assumir uma postura ativa para incriminar somente depois que aconteceu o fato, não me parece certo. Imagine a série de negligências que cometemos e deixamos acontecer, e que só não viram tragédias porquê tragédias precisam juntar mais de uma negligência ou descaso. Vamos, nós, cuidarmos mais e assumir a culpa por nem lembrarmos e sabermos que precisamos exigir o alvará  de onde vamos, por quando virmos uma saída de emergência obstruída ou que virou camarim e deixarmos de lado, por termos feitos ponderações somente depois do acidente e por outras tantas pequenas negligências que deixamos acontecer.

Nós precisamos cobrar dos órgãos responsáveis como isso ocorreu, cobrar fiscalização, pois eles tem a confiança e a fé pública, mesmo que não respondam legalmente devem assumir seus papéis de liderança e assumir que fizeram só o texto da lei e não tudo que podiam. Mas principalmente nós, as pessoas da área, precisamos ter conhecimento da legislação e fiscalizar, às vezes numa política de camaradagem deixamos passar muita coisa, para amigos, para nós, não há fiscais melhores que os usuários. Precisamos fiscalizar não só as boates, mas os orgãos que deviam fiscalizar os clubes. Nessa vontade de buscar e punir os responsáveis, todos começam a se calcar de pontos que no fim não fazem chegar ao que realmente aconteceu, e assim dificultam prevenções futuras. É muito triste e eu sinto muito pelos familiares e amigos, existem responsáveis majoritários que os atos foram cruciais e tem culpa nessa tragédia, mas não intenção, só porque a tragédia é horrível não devemos desejar o mesmo e mais sofrimento na pele dos outros. Quanto a negligência, para mim fica claro que neste caso só precisávamos de uns poucos chatos que não tolerariam os descasos, alguém que mesmo fora do horário de serviço também analisasse. Fica claro que precisamos ser mais presente como cidadão em todas as horas, fica claro que precisamos assumir a culpa como um todo por crescer e valorizar essa cultura da negligência, fica claro para mim que tenho pelo menos uma parte de culpa nessa cultura da negligência. Desculpa.

Publicado em Opinião | Marcado com , | Deixe um comentário

As edificaçãoes de 4 pavimentos e o Residencial Roma

Estudo do Residencial Roma inserido em seu entorno

Existe uma tipologia de edificação muito utilizada em Santa Maria e em todo país, o edifício residencial de 4 pavimentos. Essa tipologia geralmente antecede, nas cidades e localidades, aos edifícios mais altos, como se fosse um ensaio em menor escala, uma espécie de tempo de experiência e permanência das construtoras para depois dar passos maiores.  Há inúmeros fatores para a construção em larga escala desse tipo de edificação, mas no município de Santa Maria podemos citar três fatores principais, uma junção entre economia da construtora, legislação urbana e morfologia dos terrenos da cidade.

A edificação de 4 pavimentos é uma opção geralmente mais econômica. Essa tipologia costuma ter um custo menor por metro quadrado(m²), dentre vários fatores que contribuem para isso, cito alguns a seguir.

A edificação possui um peso pontual menor em uma área mais distribuída, o que acarreta em menores custos com fundações (dependendo evidentemente da composição do solo e do tipo de fundação). Outro importante fator é que sua estrutura vertical, que transmite a carga dos pavimentos para o solo, é menor. Ou seja, apesar de vigas e lajes suportarem um vão igual nos pavimentos (em caso de pavimentos tipos iguais), a descarga desse peso sobre os pilares ou a alvenaria portante é menor, pois serão menos pavimentos apoiados nessa estrutura. Quando aumenta o número de pavimentos e a estrutura de um prédio, considerando uma estrutura convencional de concreto armado, aumenta também  a secção do pilar e viga que é utilizada para suportar o peso próprio.

Fonte: O custo das decisões arquitetônicas – Juan Luis Mascaró(org)

Outro ponto importante em questões de custos estruturais é o contraventamento. Conforme a altura da edificação se eleva, esse custo também só sobe, pois mais estruturas precisarão estar ligadas para garantir a segurança da edificação.

Fonte: O custo das decisões arquitetônicas – Juan Luis Mascaró(org)

Outros pontos que também baixam o custo de uma obra de 4 pavimentos referem-se à sua execução, por normalmente não necessitarem de equipamentos de alto custo na mesma, como elevadores de obra, gruas e outros. Já tratando do produto final, por norma a edificação de até quatro pavimentos dispensa a obrigatoriedade de elevador, um custo bastante significativo em caso de edificações com poucas unidades privativas.

É claro que há alguns itens da construção (como projetos, compra de alguns materiais e  específicos tipos de mão-de-obra) que acabam sendo barateados em obras de grande porte, porém de qualquer forma o valor global de investimento de uma edificação de até quatro pavimentos é menor, pois geralmente possui uma área menor, o que viabiliza sua ampla utilização. A seguir abordo o conjunto dos outros 2 condicionantes que acabam por definir esta tipologia bastante utilizado, os quais são a morfologia urbana e a legislação dos municípios para construções.

Em quase todo o território brasileiro, as cidades são formadas por malhas de quarteirões quadrados ou trapezoidais, com dimensões bastante variadas. Dentro desses quarteirões existem lotes que precisam ter ligação com a rua. Por alguma razão, provavelmente comercial, ou alguma outra (as quais não serão aqui abordadas pois este não é objetivo deste artigo) as quadras foram sendo divididas em lotes de maneira a melhor aproveitar a testada com a rua, ou seja, deixando o maior número possível de lotes em uma mesma quadra com acesso direto à via pública. Isso acabou gerando uma tipologia de terrenos bastante comum, com dimensões bem menores para o logradouro e dimensões amplas com os lotes vizinhos. Essa distribuição permite que mais lotes tenham acesso à infraestrutura pública, otimizando ela e concentrando habitações em terrenos estreitos e compridos.

Em Santa Maria existe uma grande quantidade de terrenos de 10 a 14 metros de testada em que sua profundidade facilmente chega aos 40 ou 50 metros. Até alguns anos atrás, isso não era impeditivo para a construção de uma edificação com altura elevada, – como nesse caso na R. Acampamento. Porém a legislação urbana vem mudando para permitir uma maior ventilação e iluminação nas edificações, e a partir de 2004 esses terrenos ficaram quase que fadados a serem de edificações de 4 pavimentos. A legislação urbana não permite encostar edificações com mais de 2 andares nas duas divisas, salvo exeções (onde já existe edificação na divisa é permitido encostar até a altura da edificação lindeira, ou em terrenos com até 12 metros de testada, nos quais pode encostar em uma das divisas edificações de até 4 pavimentos).

Dessa maneira, o incentivo a essa tipologia cresceu ainda mais, pois é uma edificação menor, com um custo menor por metro quadrado, que atinge o máximo que a legislação permite nos terrenos que são maioria na cidade.

Dentro dessas circunstâncias, nosso escritório foi chamado para projetar um edifício de quatro pavimentos no Bairro Bonfim (Rua Appel, entre Rua Venâncio Aires e Rua dos Andradas) para uma nova construtora na cidade, a BR Construtora. O Residencial Roma, apesar dos aparentes 4 pavimentos, e do terreno de 11 metros de testada por 40 metros de fundos, vai além do edifício de 4 pavimentos padrão. O Roma possui subsolo com garagens e conta com apartamentos duplex no último pavimento, tornando-o tecnicamente em uma edificação de 6 pavimentos. Apesar da norma e da legislação não exigir elevador, o Roma terá um elevador que dará  mais conforto aos moradores.

Corte perspectivado da edificação

A edificação está localizada em um lote com frente oeste, e organiza-se de forma racional, com circulação e serviço na fachada sul e áreas de permanência dos apartamentos a norte. Por se tratar de um terreno longo, as fachada a norte e sul tem proporções grandes, desta forma os apartamentos tem quase que todos os seus compartimentos voltados à norte, o que permitirá uma excelente insolação no inverno, e uma reduzida insolação no verão. E para quem está habituado ao ambiente santa mariense sabe que a possibilidade de vista ao norte, para os morros, é sempre muito bem vinda.

Pavimento tipo do Residencial Roma

Planta Apartamento 1 dormitório

Planta Baixa apartamento 2 dormitórios

O Residencial Roma possui apartamentos de 1 dormitório com aproximadamente 48 m² privativos e apartamentos de 2 dormitórios com 80 m² privativos. As coberturas duplex, com duas suítes, ficam com 105 m². A edificação procura estar atualizada com os elementos de conforto e tecnologia da sua época, ela já possui espera para Splits, onde o dreno e a pre-instalação é feita, gás central, espera para aquecimento a gás dos chuveiros, além da imprescindível churrasqueira, que fica nas sacadas dos apartamentos, ponto onde só o clima irá impedir de chegar sol.

Estudo de cores e revestimento Residencial Roma

Afinal Roma é ao norte.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Bem como deveria ficar

O desenho é uma método de expressão que possui caráter de linguagem universal. Assim, através de pontos, linhas, preenchimentos e manchas, o artista ou desenhista comunica-se com quem enxerga o desenho. Para arquitetos essa forma de expressão é primordial para se fazer entender com clientes e executores. É com plantas baixas, cortes, detalhamentos, vistas e perspectivas que demonstramos e por vezes antecipamos o resultado do nosso projeto, é a ligação entre projetista, executor e futuro usuário do projeto.

Até o final do século passado, a melhor forma de desenho de apresentação para clientes e sociedade tinha pouca mobilidade e precisava de um tempo longo para ser elaborado, era feito a mão. Podemos dizer que existem alguns tipos básicos de desenho à mão para representação de projetos de arquitetura: o Croqui, que serve para um lançamento básico da ideia, o desenho de conceito, onde o croqui fica mais elaborado e com mais detalhes e pontos dos projetos, e por fim as perspectivas, que costumam procurar um realismo maior, com ponto de fuga e muitas vezes na altura do observador.

Hoje esse tipo de desenho ainda é, e deve continuar sendo, ensinado nas faculdades de arquitetura. Tal ensino dá a possibilidade de intimidade do estudante com o preenchimento do papel em branco, seja com riscos, cores, desenhos, entre outros. É uma forma de desenvolver sensibilidade artística, algo fundamental na nossa profissão. Porém, apesar do largo ensino desse tipo de desenho, poucos são os arquitetos recém formados que usam essa ferramenta. Com o avanço dos instrumentos de desenho no computador, ela ficou, de certa forma, com uso reduzido.

Croqui do Livro Desenho de Arquitetura – Técnicas e atalhos que usam Tecnologia – Jim Leggitt

Perspectiva do Livro Desenho de Arquitetura – Técnicas e atalhos que usam Tecnologia – Jim Leggitt

Perspectiva do Livro Desenho de Arquitetura – Técnicas e atalhos que usam Tecnologia – Jim Leggitt

O desenho auxiliado pelo computador não faz milagre ou trabalha sozinho, ele exige sensibilidade e habilidade do desenhista e, assim como o desenho a mão, muito treino e atualização. É imprescindível entender o desenho à mão e sua lógica de linhas e preenchimentos para poder produzir com qualidade e clareza representações no computador. As vantagens do desenho no computador são imensas, além da possibilidade de impressão em várias escalas, você pode, com as ferramentas corretas, praticamente construir a edificação no computador.  Esse conceito ainda está longe de ser largamente utilizado, porém a concepção da edificação e dos espaços em três dimensões já está no currículo de quase todos estudantes e recém formados da área. Com programas como SketchUp, AutoCad e 3D Studio MAX, o estudante ou profissional pode se fazer entender claramente, dando uma noção espacial e produzindo uma mobilidade de volumes e cores quase que instantânea.

Não quero falar de programas e avanços que permitem obras de Frank Ghery e outros, acho importante pensar na nossa escala, na prática profissional da maioria dos arquitetos brasileiros. A representação em três dimensões é fundamental desde a hora de vender um apartamento, no qual o comprador não é o cliente do arquiteto e sim da construtora, e sempre quer saber “como vai ficar a frente?”; até o momento de elaboração de um projeto de interiores, mostrando onde ficariam os rebaixos de gesso, pontos de luz, painéis e revestimentos.

Além de permitir estudos mais exatos e pertinentes para os profissionais, o uso de representação em três dimensões permite um entendimento muito mais claro por parte dos futuros usuários, os clientes, que muitas vezes não possuem a noção espacial que os profissionais aprenderam a ter. Isso permite uma comunicação entre profissional e cliente não vista antes, facilitando aprovações, exigências e desgostos facilmente. Outro ponto importante da representação em três dimensões é a fidelização do projeto. Quando o desenho já foi mostrado, entendido e aprovado, o cliente tem uma real noção de como vai ficar a obra, sem surpresas que podem ocorrer quando se vê somente representações em duas dimensões.

Abaixo seguem algumas imagens de representação do projeto aprovado pelo cliente e as fotos do próprio stand da Clínica Radiológica Caridade – DIX – pronto para a FEISMA 2011. A sequência ilustra a ideia atual de apresentação de projetos.

Talvez antigamente após a obra concluída o cliente podia satisfatoriamente falar “bem como eu imaginava”, enquanto hoje, com a fidelização de um 3D, podemos pensar mais em  “bem como deveria ficar”.

Aqui segue uns blogs de quem faz ilustrações a mão, é impressionante, além de algumas outras ilustrações a mão

http://marcosjesseperspectiva.blogspot.com.br/

http://ebbilustracoes.blogspot.com.br/

http://www.katafangaisland.com/infrastructure-architectural-drawings.php

http://www.ci.santa-maria.ca.us/LibraryDrawings.html

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Opinião | Marcado com , | 2 Comentários